segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mais um deus.

Morreu mais um superstar. Paciência, para morrer basta estar vivo.
Mas o cara estava falido, sem grana e planejando uma turnê para levantar as contas dele e dos irmãos (talvez).
O caso é que, morto o homem, nasce um 'deus'. Mesmo que há duas semanas se tratasse apenas do ícone do fracasso e do exemplo máximo de todas as aberrações, agora o cara é mais um santo do mundo dos mortos. O povo o louva, idolatra. Os programas de TV, os jornais, as revistas, os populares, todos se desmancham em elogios. Já se gastou tanta grana para homenagear Michael Jackson, que daria, traquilamente, para saldar sua dívida de 420 milhões de dólares, não?
Mas quem é que socorreria o cara vivo? É melhor adorar o morto.
Sociedade hipócrita. Se amavam tanto Michael Jackson, porque não fizeram uma "vaquinha" para pagar as dívidas do cara? Ou então para pagar pesquisas ara amenizar os efeitos de vitiligo, cancer de pele ou mudança de cor? Sei lá, qualquer coisa que desse respaldo a tanto amor post mortem.
Amam nada! Adoram nada! As pessoas estão tão perdidas que já nem sabem mesmo se amam ou odeiam e nem quando é que devem fazer isso. Apenas seguem, sem pensar, o cardume de peixinhos que, individualmente, não se dão valor algum.
E sabe para onde todos caminham, né? Para o mesmo pó para onde foram seus deuses...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Celibatário Paraguaio

O Paraguai ganhou a fama de ter um dos maiores comércios de falsificações do mundo! Mas estas não eram produzidas lá. Vinham, sobretudo, da China.
Mas há uma falsificação genuinamente paraguaia agora. Trata-se de seu ex-bispo, o atual presidente, Fernando Lugo. Ele teve que deixar a batina para abraçar a política. Mas já deveria ter deixado a batina há bem mais tempo, e não para abraçar a política, mas sim, as mulheres, com quem deitou e rolou... Sim, sua Eminência, enquanto sacerdote, abraçava muitas mulheres; O suficiente para ter filhos com elas.
A coisa só começou a se tornar pública porque o santo homem não estava cumprindo com seus deveres de pai! Já pensou? Um padre "padre" mesmo?
Mais uma vergonha saída das saias manchadas da religião. Pregam uma coisa e fazem descaradamente outra. Primeiro proíbem desarrazoadamente o casamento de seus sacerdotes. Depois toleram fornicação e adultério bem no meio da alta cúpula.
Não é de admirar que as pessoas encarem a religião de forma tão leviana. Se olhada com muito cuidado, mesmo que as pessoas sejam sinceras e estejam realmente procurando encontrar a verdade, precisarão de muito cuidado para escapar de tanta sujeira.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Escolher é Poder


Você cresceu ouvindo que querer é poder, mas trata-se de um engodo. Querer é fácil, o difícil é escolher. As escolhas que fazemos podem nos dar ou drenar o poder. O direito de escolher é a inestimável dádiva divina de exercitar o arbítrio.
Mas, como tudo o que confere poder, há um obstáculo, vencido por muitos poucos: saber escolher. Todas as desventuras humanas são resultado de escolhas erradas. Quiseram e simplesmente fizeram, acreditando que o verdadeiro poder estar em fazer o que se quer, quando na verdade, é fazer o que se deve.
E como escolher entre o que queremos e o que devemos?
Está aí a grande charada da vida. Ou você aprende a fazer as escolhas certas, ou passará a vida dando cabeçadas, acreditando que esta é a triste dinâmica da natureza. Não é. Mas a escolha é sua. Você pode escolher ou não acreditar nisso e ter ou não o poder de mudar as coisas.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Pois é

Pois é.

Já estamos em 2009. Desde 2001 que toda virada de calendário eu me lembro dos Jetsons. No século 21 teríamos robôs fazendo serviço braçal, carros voadores, esteiras e escadas rolantes a nos levar para todos os cantos.

No mundo da realidade, nos jornais, aclamava-se a nova ordem mundial, a aldeia global, os avanços no entendimento entre os povos. Mas oito anos se passaram e não há carros voando, o conforto da vida moderna está enfartando a população e a paz da nova ordem mundial mostrou-se um engodo. Os pobres continuam a culpar os ricos que continuam a explorar os pobres. Os judeus continuam a odiar os árabes que continuam a odiar tudo. O ódio é a ordem do dia no mundo todo.

Tempos críticos, difíceis de manejar. Homens amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, maldizentes, orgulhosos, que não amam nem a seus próprios irmãos, traidores, teimosos, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus... As palavras de Paulo a Timóteo soam como notícia de primeira página dos jornais modernos... Últimos dias.

E o que o "homem" conseguiu produzir?


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Amor

"Não é o perfeito, mas o imperfeito que precisa de amor"...
Certa vez, recebi uma mensagem que entre outras coisas dizia: "Me ame mais quando eu for muito chato, pois é quando mais preciso do seu amor"...

Às vezes é difícil amar quem insiste em não ser amado, então eu sublimo. Protesto sempre contra sua condição obtusa, mas nada acontece. Então sofro calado, dentro da minha armadura e finjo não me importar. Mas confesso que faria de tudo para que alguém com olhos de raio-x pudesse olhar além da máscara e ver que o rosto que ironiza esconde um coração que chora.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Homo Economicus


Na revista Veja da semana passada havia uma matéria amedrontadora: a humanidade já consome mais recursos do que o planeta produz. Anuncia-se um colapso total num tempo não muito distante. Numa outra página há uma matéria lamentando a provável recessão e a queda no consumo em virtude da crise nos States. É claro que as duas matérias foram escritas por pessoas diferentes, com opiniões diferentes sobre consumo e sustentabilidade e apontam para a dicotomia existente na nossa sociedade. Sabemos que estamos destruindo o planeta com nossa voracidade por recursos, mas não queremos desacelerar a economia. Por isso cria-se artifícios para vender o que não existe e fazer dinheiro de mentira – o estopim da crise.

Afinal de contas a crise deveria ser considerada benéfica, pois desaceleraria o consumo e é isso o que o planeta está precisando. Mas não é assim que o "alto comércio" deseja. Pelo contrário, as economias mundiais parecem desejar que o consumo permaneça alto e que os recursos do planeta se esgotem e então tenhamos uma crise permanente com escassez de verdade e não apenas o estouro de uma bolha.

Você já parou para pensar em quais bens de consumo são dispensáveis? Sem quais você viveria? É uma análise difícil. Não queremos abrir mão de nada, mas lamentamos as florestas devastadas, os mares e os ares poluídos. O trânsito está ruim, mas ninguém quer abrir mão do conforto do automóvel em relação ao transporte público. Você é mais homo sapiens ou homo economicus? Pense bem, muito bem e se surpreenderá com a resposta.

Sabe aqueles filmes de ficção científica em que a Terra é invadida por uma espécie que esgotou seu próprio planeta e agora quer se mudar para cá a fim de fazer o mesmo? Tem um fundo de verdade aí, só que os verdadeiros gafanhotos não virão de fora. São filhos da Terra mesmo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A Mulher Estranha


Para ter algum descanso do trânsito de Sampa, decidi vir trabalhar de trem hoje. Trata-se de um ambiente absolutamente desprovido de conforto, mas leva em traz com considerável ganho de tempo, em relação aos automóveis.

As pessoas dentro do trem estão mais egocêntricas do que nunca. Mal olham umas para as outras e seus aparelhos de mp3 dão-lhes uma força no quesito “se isolar”. Assim, o passageiro entra, coloca seus fones de ouvidos e, sentado ou em pé, esquece-se de tudo à sua volta, até porque isso torna a viagem menos enfadonha e sofrível.

Hoje, apesar de minha própria redoma invisível também estar ativada, estava prestando atenção a uma mulher “diferente” que estava sentada bem à minha direita (eu estava em pé, porque quem entra em Franco da Rocha fica sempre em pé). Tinha uma aparência bem simplória, se vestia toda colorida, e parecia estar terminando de se arrumar no trem. Devia ter acordado atrasada e dava os últimos retoques à estranha aparência e à higiene ali mesmo, no meio de todo mundo. (Afinal, uma mulher mais fina faz isso dentro de seu carro, mesmo que isso coloque em risco as vidas das pessoas fora dele...).

Então flagrei o momento em que ela desavexadamente tirou um tubo de creme dental da bolsa, passou um pouquinho na ponta do indicador e meteu entre os dentes, e, depois de massagea-los, ficou fazendo bochechos com o produto. Pensei: “Essa é arretada mesmo”. São Paulo é isso! Tem gente de todas as formas, cores e tamanhos. Mas gente sempre me surpreende.

Não demorou muito e entrou no trem um senhor bem velhinho e rumou para perto dos bancos, para tentar a sorte, já que ceder lugar, até para idosos, se tornou tão raro quanto ouvir um muito obrigado. Nos trens da CPTM ocorre um efeito interessante quando uma grávida, mulher com criança no colo, ou um idoso entra no vagão. Imediatamente a maioria dos sentados caem no mais profundo sono, outros perdem a visão periférica e passam a olhar fixamente na direção contrária ao indesejado passageiro. Ninguém se levantaria para o velhinho, exceto quem? A mulher da pasta de dente. Foi só ela ver aquele senhor em pé e prontamente ofereceu-lhe o lugar. E não só isso. Ela fez com que aceitasse sem culpa, explicando-lhe que ficaria bem.

Aí estava mais um “morde a língua Nilton”. Eu, que sairia do dali só para contar que vi uma mulher escovando os dentes no trem, agora formulava como contar que a mulher mais estranha do vagão era também a mais pronta a ajudar, a mais solidária. Amaldiçoei a estética, porque essa droga enverniza pessoas abomináveis fazendo-as parecer boas e nos faz fechar os olhos para a simples bondade que pode existir até nas pessoas mais estranhas. “Ponto para a estranheza!”. Não é feio ser estranho e ter hábitos não muito ortodoxos. Feio é ser insensível às mazelas da vida. E, Niltão, a verdadeira beleza está além do que os seus pobres olhos óticos podem ver.